Em artigo publicado na Harvard Business Review, Rolando Pelliccia faz uma interessante abordagem sobre os resultados positivos de se administrar as diferenças dentro de uma organização. Ele trata da situação da qualificação no país, informando que somente no primeiro semestre de 2010, mais de 22 mil estrangeiros vieram trabalhar no Brasil, e diz que o grande dilema da gestão do RH é: “criar uma comunidade homogênea e única... e ao mesmo tempo reconhecer as características de cada indivíduo e aproveitá-las em prol do melhor resultado”.
Esse tema, da diferença entre as pessoas, foi tratado até pelo novo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, durante a sabatina a que foi submetido antes de tomar posse, onde declarou que tinha trabalhado a vida inteira para chegar aquele posto e que também se preocupava com a forma de atuação da justiça, afirmando que é necessário considerar as diferenças entre as pessoas, para garantir a igualdade de direitos.
No âmbito das organizações é praticamente um crime – olhando pelo lado da legislação trabalhista e da atuação dos sindicatos – falar em valorizar as diferenças, principalmente quando isso representa remuneração diferenciada, exceto no caso de equipes comerciais, mas felizmente cada vez mais empresas estão buscando formas de adotar incentivos baseados em desempenho.
Talvez o mais difícil não seja entender e aceitar que as diferenças são positivas, mas criar sistemas justos e menos subjetivos de se avaliar a relevância de cada cargo dentro da estrutura de uma empresa e de medir as competências de cada colaborador.
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O discurso do Fux foi inspirador e principalmente corajoso, características indispensáveis, dentre várias outras, para o cargo. Para as empresas e mais especificamente para o RH, o difícil não é aceitar que as pessoas são diferentes e mais, que as pessoas mostram resultados e contribuições diferentes (tanto na quantidade quanto na qualidade). O difícil é encontrar uma forma de valorizar isso (na prática) sem esbarrar no princípio da isonomia (e em tantos outros princípios que por vezes amarram e impedem inovações e melhorias). A verdade, percebida no discuro do Ministro e que eu entendo melhor hoje, é que não se pode temer esbarrar nesses princípios, apenas compreender que eles causam outro efeito. A intensão de efeito do princípio da isonomia é que não haja distinção de nenhum tipo. Logo, para pessoas/condições/realidades/etc diferentes, medidas diferenciadas garatirão a igualdade, por mais contraditório que isso pareça. O desafio do RH moderno é praticar isso de forma plena sem discriminação ou privilégios, no entanto, penso que a empresa que se aproximar mais disso, encontrará motivação e retribuição sem iguais em seus funcionários.
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