Nos últimos dias o Rio de Janeiro se mobilizou em prol da arrumação da casa para receber o Presidente Obama e sua família. As ruas por onde ele passaria foram cuidadosamente limpas, os ambientes destinados as suas aparições receberam melhorias e tropas de segurança especial. Os cariocas se prepararam para recepcioná-los com acolhimento e pompa diferenciada, sentindo-se honrados e homenageados com esta visita, o que é compreensível e natural pelo status destas pessoas. Afinal nada poderia dar errado, a recepção e recordação deveriam ser perfeitas aos visitantes, para que esta boa imagem percebida renda frutos financeiros e de alianças.
Mas vale refletir por que será que temos o hábito de receber diferencialmente os visitantes, com mais regalias e consideração do que os próprios moradores da casa? Por que estes habitantes fixos não merecem as mesmas ruas limpas e segurança eficaz em seu dia a dia?
Paralelamente, e, estranhamente, muitos de nós costumamos reservar os copos de cristais ou as melhores roupas para os dias de festa, com o desejo de prestigiar e impactar os convidados, privando, por outro lado, o nosso dia a dia, de momentos também especiais e celebrativos, que fariam o cotidiano se tornar mais instigante e inspirador.Quem está chegando, quem nos visita, merece mais atenção e privilégios do que os membros da casa?
Nas organizações também nos deparamos com tais comportamentos bizarros que repercutem em baixa-estima, desmotivação e sensação de esquecimento e descaso. Por vezes os candidatos ou os recém-admitidos recebem mais informações, mais acolhimento, atenção e tratamento de melhor qualidade do que aqueles que, há mais tempo, se dedicam à conquista dos resultados.
É comum reservar-se as melhores oportunidades para candidatos externos, ao invés de desenvolvermos e investirmos proativamente nos profissionais internos, e também considerar-se aberta a hipótese de maiores salários nas seleções externas, em relação aos oferecidos nos aproveitamentos internos, como se os recém chegados sempre tivessem maior valor agregado.
Não estamos aqui fazendo uma apologia ao corporativismo ou ao tempo de casa assistencialista, como divisor de águas na priorização das relações de trabalho. Queremos apenas chamar a atenção sobre a importância de se reconhecer também aqueles que, por mais tempo, convivem com a organização como política de valorização e retenção.
Se para receber as honrarias e atenção especial é preciso ser um recém-chegado... queremos todos ser percebidos e tratados como eternos visitantes.
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