“Bullying” é um termo atualmente badalado no mercado, utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.”
O isolamento provocado pelo ato da intimidação é obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:
- espalhar comentários;
- recusa em se socializar com a vítima;
- intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;
- ridicularizar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).
Tem sido freqüente na imprensa a exposição de casos de bullying, principalmente dentro de instituições de ensino, uma prática muito próxima da que chamamos " Assédio Moral" ou mobbing (derivado de mob, que significa bando ou horda) dentro de ambientes corporativos. A prática do bullying está mais identificada nos comportamentos adotados nas escolas com grupos de jovens e adolescentes. Mas podemos encontrar tal intencionalidade intimidadora também nos ambientes corporativos.
Nas Organizações os estudos conhecidos são do psicólogo alemão Heinz Leymann, que realizou uma pesquisa com grupos de profissionais de diversas empresas. Neste cenário, a violência nasce da disputa de poder e é resultante do ambiente competitivo e agressivo adotado pelas culturas organizacionais. Surge então o Assédio Moral ou mobbing.
É importante lembrar que o estresse resultante de atividades/relacionamentos agressivos, competitivos, de alta carga de horas de trabalho, de uma liderança difícil ou da falta de estrutura, apesar de gerarem sofrimento e desgaste psíquico, não constituem Assédio Moral.
Para a caracterização da prática tanto no Bullying quanto no Assédio Moral (conhecido também como psicoterror) tem de estar presentes algumas características que o distinguem do estresse profissional ou escolar:
1 - a agressão é manifesta e humilhante;
2 - ela é repetitiva e contínua;
3 - ela tem intuito de destruir ou afastar aquele que está sendo assediado - o objetivo é claramente de prejudicar;
4 - O objetivo é dominar a qualquer preço; sua prática diária desestabiliza o outro e o adoece;
5 - Normalmente ela é direta, mas no início sutil e personalizada para, num segundo momento, com a fragilidade do outro, se tornar pública já que as ações do dia-a-dia abateram o adversário e não mais existe forma de defesa.
Portanto, define-se o Assédio Moral como um conjunto de comportamentos hostis, repetitivos e prolongados que, articulados, se transformam numa armadilha capaz de destruir a auto-estima e o psiquê do outro, até podendo levá-lo à depressão, álcool e drogas, provocando seu afastamento ou desligamento do ambiente profissional.
É inegável que o cotidiano das relações pode trazer situações imprevisíveis, conflitos e ações reativas, mas não podemos considerar normal a ocorrência de situações como agressões, discriminações, rotulações de imagens de profissionais por parte de líderes, pares, subordinados, sendo, desta forma, coniventes com um procedimento desrespeitoso que por vezes provoca baixa autoestima, insegurança, baixa performance e que afeta a saúde dos agredidos.
Não podemos, como gestores de pessoas, compactuar desta transgressão relacional, cruzando os braços e ignorando os riscos e conseqüências destas ações nocivas e desrespeitosas aos valores éticos e morais.
Cuidar do acolhimento e assegurar o respeito aos direitos e valores humanos, nas práticas e relações internas das organizações, são desafios da área de recursos humanos, como educadores e desenvolvedores de comportamentos e atitudes, que se constituam em sólidas bases para a perenidade da Organização.
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